REQUISITOS MÍNIMOS PARA AVALIAÇÕES AMBIENTAIS

A lei Municipal do Rio de Janeiro exige medidores de nível de pressão sonora tipo 1 com a calibração de toda a cadeia de medição segundo a IEC 61672. Outros estados seguem as especificações da instrumentação conforme NBR 10151 que permite a utilização tanto de medidores tipo 1 quanto tipo 2 calibrados na RBC/INMETRO atendendo a IEC 61672, antiga IEC 60651 e IEC 60804, em intervalos de no máximo um ano e meio. Medições com equipamentos tipo 2 nesse caso só deveriam ser realizadas emparelhando e balizando o resultado com equipamentos tipo 1 que deve fazer parte do processo de monitoramento, atendendo adequadamente as Leis Municipais, Estaduais e Federais.

A questão é que há empresas usando audio-dosímetro tipo 2 com certificado de calibração IEC 61252 para áudio-dosímetro, sem se ater as regulamentações para a área ambiental e, pior, utilizando fora da faixa de medição. O Legislador é bem claro na questão de não ser permitido a utilização de áudio-dosímetro. Isto se deve aos áudio-dosímetros na maioria não serem homologados como medidor de nível de pressão sonora e, portanto, não acertarem os valores de nível de pressão sonora médio equivalente (LEQ) nas tolerâncias de medidor de nível de pressão sonora tipo 1 ou tipo 2. A não ser que estes equipamentos sejam também medidores de nível de pressão sonora, homologados na IEC 61672 com os devidos certificados de calibração como sonômetros, cujas funções e exatidões devem seguir normas reconhecidas. Há também profissionais realizando medições com medidores de nível de pressão sonora inadequados sem as funções Leq e estatísticas, além de falta de registro por períodos em memória do equipamento de medição, fundamentais para atender as normalizações e a rastreabilidade dos resultados. Não há como fazer um estudo com apenas medições pontuais (Veja ISO 1996 ref. B&K). E, como maior alerta, não se deve realizar médias manuais dos níveis instantâneos, por não possuir equipamento adequado, ou seja, aqueles antigos ou sem a função Leq; que é determinante para as medições ambientais.

Comete uma imperícia quem executa e quem aceita avaliações com estes equipamentos inadequados sem se ater as questões relacionadas as funções, homologações e calibrações como medidor de nível de pressão sonora. Se observadas tais questões com o equipamento calibrado na RBC/INMETRO conforme IEC 61672, e, homologado pelo fabricante, o mesmo pode ser utilizado como uma estação de monitoramento com softwares específicos para tal, como em alguns caso de medidores no formato de audio-dosímetros que atendem a IEC 61672 e possuem certificados atualizados por esta norma e software para análise ambiental. Aconselhamos neste caso balizar as medições com equipamento tipo 1 e realizar quando pertinentes as considerações da NBR 10151 para campos acústicos com alguma reverberação. Destacamos como melhor equipamento com custo benéfico para esta área o CESVA SC 260 (Veja mais aqui).

Com relação ao método de avaliação, as medições devem sempre que possível compreender toda a situação acústica do ambiente, atendendo tantos aos períodos diurnos quanto os noturnos em diferentes horários. A ISO 1996 é bem clara com tais questões quando requer a apresentação dos resultados das avaliações por hora: nível de pressão sonora do ambiente na função Leq, das fontes externas e internas e o ruído de fundo por hora utilizando funções especiais como o L10 e o L90 para uma análise mais adequado do ambiente (compreendendo no mínimo 24 horas de medição). Isso é devido as inúmeras situações acústicas existentes, avaliando corretamente o grau de impacto na comunidade em diferentes horários e fontes existentes ("o que é natural"). Muitos profissionais de forma equivocada estabelecem metodologias a partir medições meramente pontuais que caracterizaram uma situação acústica dentre inúmeras ou milhares que podem não se repetir, contudo é natural a execução de medições pontuais pela fiscalização devido ao tempo hábil (viável) para a verificação da situação num momento. Cabe aos reclamados as medições adequadas para contrapor, se pertinente, as avaliações. Lembramos que a NBR10151 não é um procedimento técnico de boas práticas e de amostragem, portanto, não trata de amostragens, períodos de medição e sim dos métodos e limites de aceitabilidade e correções da avaliação para uma situação. Cabe ao profissional habilitado atender todas questões metrológicas, técnicas e legais envolvidas na avaliação/estudo de ruído ambiental.

Veja nesta matéria onde também destacamos o estado da técnica para controle de ruído de ambientes com música eletrônica e/ou ao vivo:

> Medidores, registradores e Limitadores acústicos.



 
"Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar o mundo de alguns que estão perto da gente através da prática do conhecimento convencendo mentes e corações" de RDR  
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