QUALIDADE METROLÓGICA E EXIGÊNCIAS DE CALIBRAÇÃO E VERIFICAÇÃO

Compõem esta assunto material sobre homologação e certificação (clique aqui).

Por ser uma área de pouco conhecimento da maioria dos profissionais a "área de metrologia", ciência da medição, necessita de maior divulgação. A metrologia é a base da normalização é possui regulamentações próprias para reconhecimento mútuo, nacional e internacional. Então, nesta matéria técnica destacamos o VIM - Vocabulário Internacional de Metrologia destacando pontos fundamentais para conhecimento e reconhecimento mútuo:

1) A calibração deve ser realizada em todos os elementos da cadeia de medição ou do conjunto. Nos casos onde os laboratórios não contemplam toda a cadeia deve-se utilizar periodicamente calibradores manuais para garantir a rastreabilidade e as referências ao verdadeiro valor da grandeza de medição. Quando aplicamos um programa de verificação com calibrador, que também identifica alterações metrológicas e/ou problemas no equipamento, é garantida a qualidade e confiabilidade dos resultados do equipamento de medição que com as alterações ou resposta fora da tolerância deve ser descartado.

2) A sociedade entende de forma equivocada: que o certificado de calibração garante a qualidade ou a conformidade do equipamento de medição com relação a Norma e Exigências Legais. Isso é muito grave, pois alguns estudos equivocados de impacto ambiental, medições ocupacionais e perícias judiciais se baseiam "na existência do certificado" e não no conteúdo que garante ou não que o mesmo possui as garantias metrológicas para ser utilizado, dentro da tolerância que se propõem. Uma simples auditoria nos certificados pode mostrar facilmente que o equipamento está fora das tolerâncias para a calibração exigida por Lei, embora, isso não seja claro nos certificados. O símbolo da RBC/INMETRO no certificado garante apenas que o laboratório que realizou as medições está acreditado pelo INMETRO, que pertencente a Rede Brasileira de Calibração, portanto, possui reconhecimento mútuo nacional e internacional. Contudo, não garante que o equipamento está adequado ou atende as tolerância que se propõem.

3) Na área de saúde e segurança do trabalho, os profissionais que optam em trabalhar com demonstrativos ambientas deveriam ter capacitação em metrologia e qualidade industrial. Este é um ponto que o INMETRO, Ministério Público e Laboratórios Acreditados vem colocando em pauta. O melhor profissional para realizar as avaliações ambientais e ocupacionais são realmente os Engenheiros de Saúde e Segurança do Trabalho com a experiência em campo e formação em metrologia, pois estamos tratando de questões técnicas e Legais, e de exercício da profissão. Contudo, deve-se exigir a capacitação na ciência da medição para que o mesmo seja capaz de interpretar os certificados de calibração e aplicar as boas práticas metrológicas.

4) Características dos equipamentos de medição e conformidade com as exigências legais. A maioria dos equipamentos utilizados nas medições de impacto ambiental e ocupacional, quando estamos relacionando os agentes ruído e vibração, são inadequados. Basta verificar no próprio manual dos equipamentos de medição que o mesmo não possui as qualidades metrológicas para serem utilizados em ambientes industriais ou naqueles com intemperes; a maioria a serem avaliados devido aos risco ocupacionais envolvidos. Este fato é tão grave que utilizam-se normalmente audio-dosimetros que embora calibrados na RBC/INMETRO não podem ser utilizados em ambientes industriais, pois sofrem interferências eletromagnéticas, além de possuir a caixa, isto é, o invólucro do equipamento e microfone sem proteção contra umidade e temperatura. Isso é destacado na NHO-01 quando exige-se a verificação antes e depois dos audio-dosímetros, onde variações maiores que 1 dB sinalizam o descarte das medição. Lembramos ainda que a calibração pode atender apenas algumas características metrológicas em ambientes sobre controle, como laboratórios. E mais, alguma calibrações são apenas elétrica não contemplando a parte mais frágil que são os microfones. Temos visto ainda profissionais utilizando audio-dosímetros que não possuem homologação ou classificação como medidor de nível de pressão sonora para mapeamento de fontes, uma imperícia e uma negligencia que merece processos e ações regressivas contra os prepostos que aceitam e os executores.

Então, alertamos que alguns profissionais, consultores e até mesmos laboratórios acreditados vem realizando medições com equipamentos inadequados ou que são calibrados por normas antigas não referenciadas as atuais, portanto não reconhecidas. Estes mesmos "laboratórios" são prestadores de serviços na área e não informam seus clientes sobre esta desatualização já que somente são credenciados para calibrarem segundo as normas para qual foram credenciados no passado pelo INMETRO, QUE HOJE SÓ "ACREDITA" PELAS NOVAS (exemplo a IEC 61672 que substituiu a ISO/IEC 60651 e 60804).

Uma das área maia graves está nas medições ambientais e de ergonomia, onde os equipamentos devem possuir uma exatidão compatível com os limites de aceitabilidade e conforto. Há empresas que utilizam equipamentos que não possuem LEQ nem homologação adequada como medidor, realizando médias manuais. Outras, na área de ergonomia que utilizam equipamentos multifunção sem qualquer conhecimento na área, pois deve-se medir por exemplo para a obtenção da temperatura efetiva (TE) a temperatura do ar, a umidade e a velocidade do ar com exatidão, principalmente este último, seguindo o padrão ASHRAE de qualidade do ar e refrigeração. Sabe-se que na velocidade do ar deve-se medir com exatidão até a segunda casa decimal para comparação com 0,75 m/s (Brasil) e 0,5 m/s (USA). Neste contexto, a exatidão deve ser melhor que 3%, só obtida com anemômetro de fio quente. Então, perguntamos, como são realizadas as medições ergonômicas e de qualidade do ar? Como estão estes documentos e o seu reconhecimento técnico e legal? Uma negligência dos executores que não possuem qualquer qualificação ou capacitação para entender o grau de erro e a impossibilidade de execução com equipamentos inadequados.

Então estamos aproveitando este informativo para destacar questionamentos durante os processos jurídicos e de contratação:

a) Calibração – Possuir calibradores calibrados segundo a IEC 60942 e Medidores ou Analisadores de Nível de Pressão Sonora (decibelímetros) calibrados segundo a IEC 61672-3 ou IEC 61672-1.

b) Certificado RBC ou INMETRO com periodicidade de 1,5 a 2 anos (máximo).

c) Capacitação Técnica e Legal do profissional responsável pelo Laudo ou Relatório de Medição. COMPROVAÇÃO POR ART(S), DIPLOMAS E CREDENCIAMENTO DA EMPRESA NO CREA NO NÚMERO 36.

d) Utilização de Calibradores como referência da cadeia de medição: tanto para a questão da medição de ruído quanto vibração é fundamental o uso de calibradores acústicos e de vibrações que de preferência emitem em frequências que permitem avaliar diferentes faixas de medição.

A não observância deste fato relacionado as boas práticas metrológicas descaracteriza qualquer laudo, pós as referências das grandezas medidas não são confirmadas e rastreadas antes de depois das medições. Tanto as NBR(s) quando as Normas ISO como a 8041 para processos de medição de vibração ocupacional exige a utilização de calibrados. Contudo, devido ao preço elevado de alguns deste não é realizado esta prática, com conivência dos fornecedores e vendedores de equipamentos.

Outras Referências:

Segundo a NBR 9653 e ISO 1996 (Estudo de Impacto Ambiental):

IEC 61672-1:2002 Electroacoustics – Sound level meters – Part 1: Specifications

IEC 61672-2:2003 Electroacoustics – Sound level meters – Part 2: Pattern evaluation tests

O aparelho de medida deve obedecer à norma IEC 61672 (Partes 1 e 2) ou equivalente, no que se refere ao equipamento do tipo I. 5.2.4 Os relatórios de medição devem conter, além do tipo de aparelho, os valores de frequência e intensidade registrados na medição efetuada. Devem ser descritos os métodos de medição e cálculo. 5.2.5 Os aparelhos de registro devem ser calibrados de acordo com as recomendações dos seus fabricantes, no máximo a cada 2 anos, com equipamentos rastreáveis, preferencialmente na RBC (Rede Brasileira de Calibração).

e) Credenciamento da empresa executora no números 36 do CREA com emissão de certidão de comprovação perante órgãos públicos.

A não observância destes fatos pode ter efeitos, em impugnações, interdições, embargos, multas e ações regressivas E COLETIVAS DO MP.

Veja entrevista sobre relatório ambiental disponibilizado na internet com diversas incongruências.

Destacamos alguns dos melhores equipamentos do mercado que atendem adequadamente as normas técnicas e as regulamentações (clique aqui).


 
"Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar o mundo de alguns que estão perto da gente através da prática do conhecimento convencendo mentes e corações" de RDR  
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